“Pelas calçadas não são raros os restos de vida habitando um corpo. Pessoas já mortas que ainda respiram, ainda choram, que ainda podem morrer. Vejo tantos sonhos mutilados pela sarjeta, se prostituindo ao medo, à discórdia e à falta de esperança. Nada mais é real, tampouco verdadeiro. O mundo se conformou com o fracasso, e a inocência hoje é algo raro, quase um dom em se ter… e quando se tem, é frágil, delicada, facilmente corrompida pelos desejos do pecado que brotam dos ossos de quem tem sede de varar madrugadas entrelaçando-se pelo censurado e insensato ato de se amar com outro corpo amante. Vieram a mim as dádivas da vida, aprendi a gostar do que é bom, e temer o fim disso. Mas a vida surpreende, e te tira a luz quando você ganha a visão. Do paraíso só restam as ruínas […] Vira-se a página do teu livro da vida, ou queime de uma vez o livro que tu és.”
“Colei aquele “Eu amo você” no espelho. É pra mim mesmo.”
“Levanta dessa cama garota. Anda! Sei que tá doendo, mas levanta. Coloca uma roupa. Passa a maquiagem. Arruma esse cabelo. Ajeita a armadura. Segura o coração. Sai por aquela porta. Enfrenta o vento. Sorri pro Sol. Segura o coração. Olha pra ele. Passa reto. Não caia. Não caia. Engole o choro. Fingi de morta quando ele falar com você. Seja fria. Continue andando. Enfrente seus problemas de cara. Reaja. Vai. Tá pensando que é só você que sofre? Tá enganada. Anda menina. Para de ser infantil. A culpa não é de ninguém…Se apaixonou, agora segura. Anda. Seja forte. Seja feliz. Seja uma mulher.”
“Não adianta tentar tirar da cabeça quem se alojou no coração. Não adianta fingir que não sente na tentativa de passar a não sentir. E quer saber? Te amo. Te amo de um jeito que eu tento explicar e não sei. Palavra fica presa. Engasgo, afogo e uso palavras pela metade. Na hora H sempre falta uma vogal. Mas quer, de novo, saber? Meu coração nunca foi pela metade: sempre foi-inteirinho-seu. Plim!”
“O passado é um segundo coração que bate em nós.”